Ultrassom terapêutico vs. ultrassom estético: diferenças que o médico precisa conhecer

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Ultrassom terapêutico, HIFU e ultrassom estético de baixa frequência utilizam energia acústica, mas não são tecnologias intercambiáveis. Frequência, intensidade, focalização, forma de emissão e características do transdutor modificam a interação da energia com os tecidos e, consequentemente, suas aplicações.

Para o médico que trabalha com medicina estética, compreender essas diferenças é importante tanto para selecionar a tecnologia adequada quanto para explicar ao paciente por que dois equipamentos chamados de “ultrassom” podem ter objetivos completamente distintos.

No portfólio da AdoxyMedical, o Hybrius EVO utiliza ultrassom de 40 kHz associado a LED vermelho de 635 nm e radiofrequência capacitiva. Sua proposta pertence ao campo dos protocolos estéticos de contorno e qualidade tecidual, e não ao mesmo contexto do ultrassom convencional utilizado em fisioterapia ou do ultrassom focalizado de alta intensidade.

Ultrassom não é uma única tecnologia

Ultrassom é uma onda mecânica com frequência superior ao limite da audição humana. A partir dessa definição física, podem ser desenvolvidos equipamentos muito diferentes.

O comportamento da energia no organismo depende não apenas da frequência. Intensidade, tempo de exposição, modo contínuo ou pulsado, área efetiva do transdutor, focalização e propriedades acústicas dos tecidos também interferem na distribuição da energia.

Por isso, comparar equipamentos apenas pelo número de quilohertz ou megahertz é insuficiente.

Na prática clínica e estética, três categorias ajudam a compreender as diferenças: o ultrassom terapêutico convencional, utilizado principalmente em reabilitação; o ultrassom focalizado de alta intensidade, conhecido como HIFU; e o ultrassom estético de baixa frequência, utilizado em equipamentos voltados ao contorno corporal.

Ultrassom terapêutico convencional: 1 MHz e 3 MHz

O ultrassom terapêutico tradicional é amplamente conhecido na fisioterapia e na medicina física. Equipamentos dessa categoria geralmente trabalham com frequências próximas de 1 MHz ou 3 MHz, em modo contínuo ou pulsado.

Em condições equivalentes, o ultrassom de 1 MHz apresenta maior alcance em profundidade, enquanto 3 MHz apresenta absorção mais rápida e maior concentração de energia nos tecidos superficiais.

Referências sobre ultrassom terapêutico situam aproximadamente a faixa de atuação de 1 MHz em tecidos entre 3 e 5 cm de profundidade, enquanto 3 MHz é utilizada principalmente para estruturas mais superficiais, aproximadamente entre 1 e 2 cm. Esses valores são aproximações e variam conforme equipamento, tecido e parâmetros selecionados.

Modo contínuo e modo pulsado

No modo contínuo, a emissão ocorre sem interrupção durante o período selecionado. Dependendo da intensidade e da aplicação, existe maior possibilidade de acumulação térmica.

No modo pulsado, períodos de emissão são intercalados com períodos sem emissão. Isso modifica a dose temporal de energia e pode reduzir o componente térmico do tratamento.

É importante evitar a simplificação de que contínuo significa exclusivamente “efeito térmico” e pulsado significa exclusivamente “efeito não térmico”. Mesmo emissões pulsadas podem produzir aquecimento dependendo de intensidade, ciclo de trabalho e duração.

Para que é utilizado?

O ultrassom terapêutico foi desenvolvido para aplicações relacionadas à reabilitação e ao tratamento de tecidos musculoesqueléticos. Tendões, músculos, cicatrizes e determinadas alterações de tecidos moles estão entre os contextos em que a modalidade é estudada.

A evidência clínica varia bastante conforme indicação. Portanto, não é adequado afirmar que o ultrassom convencional seja universalmente eficaz para tendinites, bursites, contraturas ou qualquer outra condição apenas por pertencer à categoria terapêutica.

Da mesma forma, um equipamento fisioterapêutico de 1 ou 3 MHz não deve ser considerado equivalente a um equipamento especificamente desenvolvido para ultracavitação estética.

HIFU: o diferencial está na focalização da energia

HIFU é a sigla de High-Intensity Focused Ultrasound, ou ultrassom focalizado de alta intensidade.

Seu principal diferencial não é apenas a frequência. O sistema concentra energia acústica em uma região focal selecionada abaixo da superfície, produzindo pontos térmicos controlados sem a necessidade de remover a epiderme para alcançar o alvo.

Na medicina estética, versões microfocadas são utilizadas principalmente em protocolos relacionados à flacidez e ao rejuvenescimento facial e corporal.

Dependendo do equipamento e do cartucho utilizado, diferentes profundidades nominais podem ser selecionadas. Isso permite planejar a entrega de energia conforme anatomia e objetivo clínico.

HIFU e SMAS não devem ser tratados como sinônimos

É comum encontrar explicações afirmando que o HIFU “trata o SMAS”. Essa afirmação precisa de contexto.

Algumas configurações de ultrassom focalizado podem alcançar profundidades compatíveis com planos fasciais em determinadas regiões. Entretanto, a anatomia e a profundidade do SMAS variam entre pacientes e entre diferentes partes da face.

Por isso, a profundidade nominal de um transdutor não garante automaticamente que determinada estrutura anatômica será atingida em todos os pacientes.

A indicação deve considerar anatomia, espessura de tecido, área de segurança e características específicas do dispositivo.

Como o HIFU produz remodelação progressiva

Os pontos térmicos produzidos pelo HIFU desencadeiam uma resposta de remodelação tecidual. Alterações iniciais das fibras de colágeno são seguidas por processos celulares que continuam evoluindo depois da sessão.

Essa característica explica por que a avaliação do resultado do HIFU costuma ocorrer ao longo dos meses, e não apenas imediatamente após o procedimento.

Estudos clínicos e revisões sistemáticas demonstram melhora de firmeza e flacidez em pacientes selecionados, embora magnitude e duração do resultado dependam da plataforma, da técnica, dos parâmetros e das características individuais.

O HIFU não deve, entretanto, ser confundido com ultracavitação estética. Apesar de ambos utilizarem ondas acústicas, a focalização, a intensidade e o objetivo terapêutico são diferentes.

Ultrassom estético de baixa frequência: onde entra a ultracavitação

O ultrassom de baixa frequência utilizado em protocolos estéticos trabalha em outra faixa e com outra finalidade.

No Hybrius EVO, a frequência utilizada é de 40 kHz. Segundo as especificações atuais da AdoxyMedical, essa modalidade participa de protocolos relacionados à gordura localizada, remodelamento corporal e uniformidade do tecido.

Nessa faixa, fenômenos de cavitação podem participar da interação acústica com o meio.

Cavitação é o comportamento de microbolhas em um líquido submetido a variações de pressão acústica. A dinâmica dessas bolhas depende de frequência, pressão, intensidade, características do meio e parâmetros do equipamento.

Cavitação não deve ser explicada apenas pela frequência

É comum afirmar que 40 kHz automaticamente produz “cavitação estável” e que frequências em MHz não produzem cavitação. Essa explicação é simplificada demais.

A natureza da cavitação depende da interação entre vários parâmetros acústicos. Frequência é importante, mas não determina sozinha se as bolhas permanecerão oscilando de maneira estável ou passarão por colapso mais energético.

Por isso, a comunicação clínica deve se concentrar no mecanismo e nas aplicações previstas para a plataforma, evitando transformar um único número de frequência em garantia de um comportamento biológico específico.

LIPUS e ultracavitação de 40 kHz não são a mesma coisa

Essa diferenciação é especialmente importante ao interpretar estudos científicos.

LIPUS significa Low-Intensity Pulsed Ultrasound, ou ultrassom pulsado de baixa intensidade. A literatura experimental investiga essa tecnologia em contextos como reparo tecidual, inflamação, microcirculação e outras aplicações.

Um estudo publicado em 2023 avaliou LIPUS em um modelo de linfedema secundário em ratos. Os pesquisadores encontraram redução do edema e da fibrose, melhora de microcirculação e alterações em marcadores de macrófagos.

Esse resultado é cientificamente interessante, mas não pode ser transferido diretamente para um equipamento estético de ultracavitação de 40 kHz.

Frequência, intensidade, dose, transdutor, modelo biológico e objetivo terapêutico podem ser diferentes.

Portanto, não é adequado afirmar que o Hybrius EVO promove polarização de macrófagos M1 para M2, linfangiogênese ou tratamento de linfedema simplesmente porque esses efeitos foram observados em estudos experimentais com LIPUS.

Ultrassom terapêutico, HIFU e ultrassom de 40 kHz: comparação

Característica Ultrassom terapêutico HIFU Ultrassom estético de baixa frequência
Faixa típica 1 a 3 MHz Varia conforme plataforma e transdutor Faixas em kHz, como 40 kHz no Hybrius EVO
Distribuição de energia Não focalizada Focalizada Não focalizada para aplicações de ultracavitação
Objetivo principal Aplicações terapêuticas em tecidos musculoesqueléticos Remodelação focal e protocolos de firmeza Contorno corporal e gordura localizada em pacientes selecionados
Efeito característico Térmico e mecânico conforme parâmetros Pontos térmicos focais Efeitos acústicos com participação de cavitação
Uso estético Não é equivalente à ultracavitação Firmeza e rejuvenescimento Remodelamento corporal

A tabela ajuda a visualizar a principal mensagem deste conteúdo: o nome ultrassom descreve a natureza física da energia, não uma única finalidade clínica.

Hybrius EVO: três tecnologias em uma plataforma

O Hybrius EVO foi desenvolvido pela AdoxyMedical como uma plataforma que integra três tecnologias: LED vermelho de 635 nm, ultrassom de 40 kHz e radiofrequência capacitiva.

O objetivo dessa associação é permitir que componentes diferentes de uma queixa estética possam ser considerados dentro de um planejamento integrado.

LED vermelho de 635 nm

O LED vermelho participa de processos de fotobiomodulação. A luz nessa região do espectro é estudada por sua interação com mecanismos celulares envolvidos em metabolismo, reparação e resposta tecidual.

No Hybrius EVO, o LED pode integrar protocolos em que qualidade do tecido, conforto e continuidade do cuidado são relevantes.

Ultrassom de 40 kHz

O ultrassom de 40 kHz é o componente acústico da plataforma destinado a protocolos estéticos de contorno, gordura localizada e uniformidade do tecido.

A AdoxyMedical posiciona essa tecnologia como ultracavitação. A aplicação deve considerar área, condição do tecido, indicação, parâmetros e avaliação profissional.

Radiofrequência capacitiva

A radiofrequência capacitiva utiliza energia eletromagnética para produzir aquecimento controlado nos tecidos.

Dentro de protocolos estéticos, esse recurso pode participar de estratégias relacionadas à firmeza e à remodelação da pele.

A associação com ultrassom e LED permite construir abordagens nas quais gordura localizada, contorno e qualidade tecidual são avaliados como componentes diferentes do mesmo caso.

Hybrius EVO é indicado para lipedema?

Essa pergunta exige uma resposta cuidadosa.

O lipedema é uma condição crônica complexa e não deve ser reduzido a gordura localizada ou celulite. Seu diagnóstico e manejo dependem de avaliação clínica e podem envolver diferentes estratégias conservadoras e, em casos selecionados, cirúrgicas.

Não há base suficiente para afirmar que a ultracavitação de 40 kHz trate a fisiopatologia do lipedema, reverta inflamação crônica ou modifique diretamente mecanismos imunológicos associados à doença.

Em pacientes com diagnóstico de lipedema, tecnologias estéticas só devem ser consideradas dentro de objetivos específicos, compatíveis com suas indicações e integradas ao acompanhamento adequado.

Para a AdoxyMedical, é mais consistente apresentar o Hybrius EVO como ferramenta que pode participar de estratégias voltadas à qualidade do tecido, contorno e conforto em pacientes selecionados, sem transformá-lo em tratamento da doença de base.

E no linfedema?

Também é importante não confundir pesquisas experimentais sobre LIPUS com evidência clínica para ultracavitação.

Estudos em animais mostram resultados interessantes do ultrassom pulsado de baixa intensidade sobre edema, microcirculação e inflamação. Esses trabalhos ajudam a abrir novas linhas de investigação, mas não estabelecem o ultrassom de 40 kHz do Hybrius EVO como tratamento comprovado para linfedema.

Pacientes com suspeita ou diagnóstico de linfedema devem receber avaliação específica para a condição.

Hybrius EVO pode ser usado depois da criolipólise?

A utilização de tecnologias complementares depois de procedimentos de redução de gordura precisa ser planejada individualmente.

Não é adequado estabelecer como regra que o Hybrius EVO deva ser iniciado duas ou quatro semanas após toda criolipólise, nem afirmar que o ultrassom acelera obrigatoriamente a remoção de debris lipídicos.

A região deve ser reavaliada antes de uma nova intervenção. Sensibilidade, edema, inflamação, integridade tecidual, evolução esperada e protocolo do equipamento utilizado anteriormente precisam ser considerados.

Quando houver indicação para uma tecnologia complementar, momento, parâmetros e objetivo devem ser definidos pelo profissional responsável.

Como escolher o ultrassom correto para a indicação

A pergunta mais útil não é “qual ultrassom é melhor?”, mas “qual efeito preciso produzir neste paciente?”.

Quando o objetivo pertence à reabilitação musculoesquelética, a discussão ocorre no campo do ultrassom terapêutico convencional.

Quando a indicação é firmeza e remodelação por energia focalizada, o HIFU representa outra categoria.

Quando o objetivo está relacionado a contorno corporal e gordura localizada e existe indicação para ultracavitação, uma plataforma de baixa frequência como o Hybrius EVO ocupa outro espaço.

Em pacientes que apresentam mais de um componente estético, tecnologias diferentes podem ser complementares. Entretanto, a associação deve partir da avaliação e não da ideia de que utilizar mais modalidades necessariamente gera um resultado melhor.

O que diferencia o Hybrius EVO dentro desse espectro

O Hybrius EVO não pretende substituir HIFU ou ultrassom fisioterapêutico. A plataforma foi desenvolvida para outro objetivo.

Ao reunir ultrassom de 40 kHz, LED vermelho de 635 nm e radiofrequência capacitiva, a AdoxyMedical oferece uma plataforma destinada à construção de protocolos estéticos híbridos.

O ultrassom participa da abordagem de contorno e gordura localizada. A radiofrequência acrescenta um recurso voltado à firmeza e remodelação do tecido. O LED complementa o planejamento por meio da fotobiomodulação.

Essa combinação permite ao profissional trabalhar diferentes componentes da queixa sem confundir os mecanismos de cada tecnologia.

Entender a física evita indicações equivocadas

Ultrassom terapêutico, HIFU e ultrassom estético de baixa frequência pertencem à mesma família de energia mecânica, mas são tecnologias diferentes.

O ultrassom convencional utiliza principalmente frequências em MHz e tem aplicações históricas em reabilitação. O HIFU focaliza energia em pontos selecionados para promover remodelação térmica. O ultrassom estético de baixa frequência trabalha com outra configuração acústica e pode participar de protocolos de ultracavitação e contorno corporal.

Para o médico, compreender essas diferenças evita dois erros: esperar que tecnologias distintas produzam o mesmo efeito e utilizar estudos realizados com uma modalidade como prova de eficácia de outra.

No Hybrius EVO, a AdoxyMedical integra ultrassom de 40 kHz, radiofrequência capacitiva e LED de 635 nm para ampliar as possibilidades de protocolos de medicina estética dentro de uma mesma plataforma.

Quer entender como o Hybrius EVO pode ser incorporado aos protocolos da sua clínica? Fale com a equipe da AdoxyMedical e conheça as configurações, aplicações e possibilidades da plataforma.

 

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